Adolescentes e a acne: como podem os pais ajudar?

A acne é um problema de pele que afeta muitos adolescentes. Como pais, nem sempre é fácil lidar com a luta dos filhos adolescentes contra a acne, bem como o impacto que este tem na sua autoestima. Este artigo pretende auxiliar os pais a lidar com esta problemática e a auxiliar os filhos adolescentes na forma como lidam com o acne.

O que pode fazer para ajudar a prevenir a acne?

Se os pais têm um histórico de acne (na sua adolescência ou vida adulta) devem encaminhar o filho para um dermatologista, para que o problema possa ser atendido precocemente. Isto porque a acne tem uma grande influência genética, isto é, pais que tiveram acne têm maior probabilidade de que os filhos venham a sofrer do mesmo problema. Assim, a forma como os próprios pais vivenciaram a acne e tiveram contacto com este problema de pele durante a sua adolescência pode ser particularmente importante na ajuda a dar aos filhos ao passar pelo mesmo problema.

É típico o aparecimento de acne na adolescência, em parte devido às alterações hormonais deste período do desenvolvimento. Além disso, outros fatores podem estar na origem destas lesões na pele, tais como a aplicação de cosméticos demasiado oleosos, os ambientes poluídos, os climas quentes e húmidos, certos medicamentes e também o stress.

Assim, como forma de prevenir a acne existem algumas estratégias que os pais podem transmitir e utilizar com os filhos adolescentes:

  • Aconselhar os filhos a protegerem-se da poluição afastando-se, o mais possível, de ambientes poluídos, bem como do contacto direto com o fumo do tabaco e com poeiras, assim como ambientes muito quentes e húmidos;
  • Escolher os produtos de higiene corretos. Deve escolher para o seu filho produtos que limpem a pele mas que não sejam demasiado gordurosos, elegendo por exemplo produtos específicos para a pele com acne. Na dúvida, pode questionar o médico ou o farmacêutico sobre os melhores produtos a utilizar;
  • Incentivar o adolescente a manter a pele hidratada, utilizando cremes de base aquosa ou de silicone, sem gordura, bem como a lavar o rosto com regularidade e remover a maquilhagem, caso utilize;
  • Explicar ao adolescente que, por maior que seja a tentação, este não deve espremer as borbulhas ou espinhas, para evitar marcas permanentes;
  • Ter cuidado com a alimentação do adolescente, privilegiando alimentos saudáveis e evitando alimentos como fritos ou doces;
  • Se o seu filho precisa de tomar alguma medicação, indicar ao médico a propensão existente para a acne, para que este tenha em conta esta problemática no momento da prescrição;
  • Levar o seu filho ao dermatologista o mais precocemente possível, pois quanto mais cedo se começar a tratar melhor serão os resultados.

Como entender o que seu filho sente?

É normal os pais terem dificuldade em compreender o impacto da acne nos filho

É natural que, se os pais não passaram pelo mesmo problema, tenham dificuldade em compreender o impacto que as lesões na pele podem ter no seu filho. Além disso, por vezes é difícil para um adulto conseguir aceder ao mundo interno do adolescente, quer pela sua complexidade, quer pelo facto de muitas vezes os adolescentes se isolarem no seu próprio universo.

Por isso, procurar ser empático e entender de que forma a acne impacta no adolescente a nível social, psicológico e emocional, é muito importante. É importante perspetivar que a adolescência é, já de si, um período conturbado, com um corpo em permanente mutação e que se altera a uma velocidade vertiginosa. Quando a acrescentar a estas transformações surgem borbulhas, espinhas e outros sinais visíveis na pele, o espelho torna-se para o adolescente um inimigo ainda mais difícil de encarar.

Tenha em conta que o seu filho adolescente se encontra numa fase do desenvolvimento em que procura definir a sua identidade, compreender a sua própria imagem corporal, integrar-se num grupo e sentir-se parte de algo. Como tal, a acne, que surge frequentemente no rosto e é muito visível, leva o adolescente a sentir-se mal com a sua imagem e a isolar-se dos outros. As alterações na pele acabam por alterar a forma como o adolescente se sente em relação a si mesmo, podendo mesmo aumentar o risco de depressão, ansiedade e isolamento social. Como a acne não pode ser escondido com facilidade, o isolamento social acaba por surgir como a única alternativa para o esconder.

Em suma, a acne pode afetar o funcionamento social e psicológico do seu filho adolescente. Quanto mais severo for a acne (ou seja, quanto mais visível e intenso) maior a probabilidade de que o adolescente desenvolver sintomas ansiosos ou depressivos, sendo também maior o impacto na sua vida. A acne tem influência no estado emocional do adolescente (causando embaraço, problemas de autoestima, sentimentos de desvalorização pessoal) bem como na funcionalidade diária.

Quais os sinais a que deve estar atento?

Nem todos os adolescentes reagem à acne da mesma forma

É importante estar atento a alguns sinais que podem indicar que está a ser particularmente difícil para o seu filho adolescente lidar com a acne ou que este problema de pele está a ter um forte impacto negativo a nível psicológico, social e emocional. Destacamos aqui alguns desses sinais:

  • Comenta várias vezes que é feio ou que não gosta da sua imagem;
  • Compara-se com frequência com outros adolescentes da mesma idade;
  • Mostra-se frequentemente triste ou revela falta de vontade para fazer atividades que antes gostava de fazer;
  • Apresenta alterações no sono ou no apetite;
  • Mostra-se mais ansioso e hipervigilante;
  • Sente vergonha com frequência e fica facilmente embaraçado;
  • Foca-se demasiado no problema da acne e o seu dia-a-dia passa a ser dominado por essa questão;
  • Adota comportamentos de risco e/ou automedica-se;
  • Usa maquilhagem em excesso ou o cabelo muito comprido para tapar o rosto, bem como outras formas de dissimular a acne;
  • Descura a sua aparência e o seu autocuidado (ex: não toma banho, não se arranja para sair de casa, etc);
  • Falta às aulas ou descura outros compromissos importantes;
  • As suas notas descem e apresenta-se desmotivado para a escola;
  • Não quer sair e evita situações sociais e que impliquem estar com outras pessoas;
  • Tem medo e evita estar em situações em que tenha de falar em frente a um grupo de pessoas;
  • Torna-se mais introvertido e inibido.

Apesar destes sinais constituírem importantes indicadores aos quais deve estar atento, é também necessário ter em conta que nem todos os adolescentes reagem à acne da mesma forma. Há adolescentes que lidam com o problema de forma mais amena e equilibrada, e outros nos quais a acne parece ter um impacto mais negativo e profundo. No entanto, o facto de o adolescente não verbalizar diretamente as emoções e pensamentos relativamente ao problema, não quer dizer que não os sinta ou que este não o afete. Deve existir uma compreensão de que o adolescente reage de forma única ao problema, ainda que seja por vezes difícil compreender as suas reações.

Assim, os pais devem isentar-se de fazer críticas, tais como dizer ao adolescente que deveria usar algo para encobrir as borbulhas ou, pelo contrário, desvalorizar o problema e dizer que não é assim tão grave. Deve existir uma compreensão e empatia, mantendo assim uma atitude isenta de julgamentos.

Se o adolescente já apresenta problemas prévios (por exemplo, tem um temperamento tímido ou inibido, já apresentava antes problemas de autoestima, etc), os cuidados devem ser redobrados e os pais devem estar ainda mais atentos aos sinais que este apresenta.

Que atitude deve ter para ajudar o seu filho?

Os pais podem adotar estratégias para ajudar os filhos a lidar com a acne

Os pais são figuras de referência de extrema importância na vida dos filhos. Ainda que na adolescência os jovens tenham tendência a afastar-se dos pais, num movimento de procura de independência e autonomia, continuam a precisar tanto deles como sempre. E a postura e atitude dos pais pode ter um forte impacto na saúde e bem-estar emocional dos adolescentes, quer de forma positiva quer negativa.

Por isso, face ao problema da acne, os pais podem adotar algumas estratégias de forma a facilitar a gestão do problema por parte do adolescente:

  • Não desvalorize o problema – isto é, não diga coisas como “é normal da idade, isso passa”, mostrando-se assim pouco compreensivo e empático face à problemática. Seja pró-ativo e leve o seu filho a um médico, pois quanto mais cedo se intervir no problema, melhores os resultados.
  • Não coloque as culpas da acne no seu filho, apontando-lhe erros como não ter uma higiene adequada ou comer alimentos pouco saudáveis. Em vez disso, se ajudar o seu filho a adotar hábitos mais saudáveis, comece também por o fazer, tornando-se um modelo ou exemplo, e explique-lhe a importância de adotar esse hábito. Mas nunca utilize a culpabilização, pois só irá piorar o impacto que o problema já tem no adolescente.
  • Não impeça de usar maquilhagem, cabelo comprido ou outras estratégias que o seu filho utiliza para tentar dissimular a acne e sentir-se ligeiramente melhor com a sua imagem. Embora gostássemos que o adolescente não sentisse necessidade de “se esconder”, impedi-lo de vestir-se ou apresentar-se da forma como se sente mais confortável pode agravar o problema e fazê-lo isolar-se ainda mais. Permita que ele o faça até que seja encontrado o tratamento adequado que ajude a harmonizar o rosto.
  • Se o seu filho propõe soluções não as critique logo à partida (por exemplo, usar determinado creme, aplicar determinada maquilhagem) dizendo que elas são erradas. Valorize a sua tentativa de resolução do problema e aconselhe da melhor forma, explicando porque é que determinados produtos são mais adequados que outros. Aproveite e diga, por exemplo “por acaso não conhecia esse creme. Se quiseres podemos ir à farmácia e ver se é o melhor ou existem outros que funcionam melhor”.
  • Não fale demais sobre o assunto nem tente dar conselhos a todo o momento. Lembre-se que a pele é do adolescente, e que é ele que sofre do problema. Falar demasiado sobre o tema ou estar sempre a apresentar soluções pode ser demasiado intrusivo para o adolescente. Em vez disso, mostre-se disponível e deixe que seja ele a requerer a ajuda ou o conselho. Recomende e aconselhe quando o assunto surgir, sem tentar forçar.
  • Evite comentar sempre que surge no rosto alguma espinha ou borbulha. O adolescente sabe que a espinha ou a borbulha estão lá, relembrá-lo disso só servirá para que se sinta pior.
  • Leve o problema a sério. Ou seja, entenda que a acne é um problema que quando não é tratado pode levar a lesões na pele irreversíveis, e também que a acne pode ter um profundo impacto no bem-estar emocional do seu filho, afetando a sua autoestima e os seus relacionamentos sociais numa fase tão importante do desenvolvimento.
  • Relembre o seu filho da importância de cumprir o tratamento (isto se já o estiver a fazer – p.ex, de aplicar o creme ou tomar a medicação). No entanto, tenha cuidado com a forma como o faz. Insistência excessiva pode levar a exacerbar o impacto do problema para o adolescente e a criar um sentimento de falta de autonomia e de incapacidade. Opte antes por relembrar esporadicamente e dar ao seu filho a autonomia de ser capaz de cumprir o tratamento. Pergunte se precisa de ajuda em vez de insistir em controlar e ocupar-se de tudo.
  • Tente reduzir o stress sentido pelo seu filho. O stress também tem influência na acne e, se para além dos complexos já sentidos pelo adolescente, ainda acrescemos outros fatores de stress, o bem-estar emocional será minado de forma ainda mais intensa. Por isso, tente reduzir os possíveis fatores de stress, bem como discussões ou conflitos desnecessários.
  • Esteja atento aos sinais de alarme, nomeadamente, humor deprimido ou ansiedade. Se notar que eles existem, fale abertamente com o seu filho e diga aquilo que o preocupa antes de tomar uma decisão. Não marque, por exemplo, uma consulta num psicólogo ou num médico sem primeiro consultar o seu filho e expressar as suas preocupações, indicando aquilo que considera que o poderia ajudar e porquê.
  • Leve o seu filho a um médico dermatologista (sempre depois de ter falado com ele primeiro e explicar-lhe porque é que poderá ser importante consultar um especialista), mas respeite a sua privacidade. Ou seja, a menos que o adolescente queira que os pais estejam presentes, permita que este fique sozinho com o médico. Desta forma será mais fácil para o médico avaliar e compreender a problemática e o seu impacto, bem como para o adolescente de se expressar.

Em suma, procure ser compreensivo e empático, colocando-se o mais possível na pele do adolescente e sendo um fator de promoção do seu bem-estar. Se não se sentir capaz ou tiver a ter muitas dificuldades em lidar com a situação, lembre-se que não tem de fazer tudo sozinho e consulte um especialista que o possa ajudar.