Que tipos de acne existem?

Quando falamos sobre dermatites ou doenças inflamatórias da pele, a que mais se discute é a acne. Esta é muitas vezes confundida com outras doenças de pele, em virtude das lesões que causa na pele serem muitos semelhantes às da rosácea e da foliculite, por exemplo.

Não obstante as semelhança, as lesões resultantes da acne tendem a manisfstar-se em zonas do corpo onde se concentram glândulas sebáceas, designadamente o rosto, o pescoço, o peito, as costas e as nádegas. Quando encontramos lesões semelhantes à da acne em outras regiões do corpo, que não as mencionadas, é comum tratar-se de uma outra doença de pele e não de acne.

A acne é desencadeada por diversos fatores, como o histórico familiar, o stress, problemas hormonais, entre outros. Estes fatores podem influenciar o seu grau de gravidade, que varia conforme o tipo de lesão, cicatriz e a extensão da manifestação da doença pelo corpo1.

Neste artigo iremos abordar os tipos de lesões da acne, o seu grau de gravidade e os possíveis tratamentos para esta doença de pele. Desta forma, sem prejuízo do necessário acompanhamento profissional, poderá diferenciá-la mais facilmente de outras dermatites.

Que tipos de lesões causa a acne?

Comedões, pápulas, pústulas e nódulos são lesões típicas da acne

De forma geral a acne assume a forma de pústulas (pontos brancos) e comedões (pontos negros). Não obstante, há outros tipos de lesões que podem ocorrer, designadamente através de fístulas, abcessos, nódulos, cistos e pápulas – representações plausíveis de um problema como a acne, embora estes tipos de lesões acontecem normalmente em graus mais severos da doença2.

Assim sendo, é importante clarificarmos os tipos de lesões da acne conforme seu grau de gravidade/severidade:

  • Comedões (pontos negros ou cravos): estes formam-se quando o sebo, juntamente com a queratina e o colágeno presentes na pele, obstruem os poros;
  • Pápulas: pequenas lesões endurecidas, inchadas, arredondadas e avermelhadas (há inflamação, porém, ela é interna);
  • Pústulas (pontos brancos, espinhas ou borbulhas): são as pápulas que contém pus, as famosas “espinhas”;
  • Nódulos: elevações endurecidas presentes na pele, semelhantes às pápulas, porém maiores em tamanho e desconfortáveis, dado causarem dor.
  • Cistos: lesões semelhantes as pústulas, que se tornam inflamadas e atingem camadas mais profundas da pele. Tendem a causar dor e a deixar cicatrizes profundas;
  • Abcessos: são lesões inflamadas de pelo menos 1,5 cm de diâmetro, que libertam pus. Têm a capacidade de formar uma infecção generalizada e deixar cicatrizes praticamente irreversíveis;
  • Fístulas: acontecem em casos raríssimos onde os abcessos comunicam com as camadas internas do organismo, gerando inflamação e fluído (sistema linfático). Causam dor e são difíceis de tratar, por exigir tratamento hospitalar3,4.

Entende-se que as lesões podem ser simples e passageiras, ou graves e passíveis de tratamento médico. Por isso mesmo é importante prestar atenção à forma como a acne se desenvolve e procurar cuidados especializados assim que ela se mostrar fora dos padrões tidos como normais.

Classificação da acne conforme a gravidade

A acne pode ser classificada em 5 graus

A acne pode ser classificada em 5 graus, que variam conforme a gravidade das lesões e a presença ou não de inflamação. Entretanto nem todos os graus são considerados apenas a acne vulgaris, a forma mais comum da doença, mas sim outros tipos de acne.

  • Acne grau I, acne comedônica ou acne não inflamatória: apresenta apenas comedões ou pontos negros. Não apresenta inflamação e caracteriza-se pela presença das lesões principalmente na testa, nas bochechas e no nariz.
  • Acne Grau II ou acne pápulo-pustulosa: apresenta comedões, pápulas e pústulas, as lesões são pequenas e quando inflamadas, não causam dor. Normalmente localizam-se nas bochechas, maxilar, testa e nariz.
  • Acne Grau III ou acne nódulo-cística: apresenta lesões maiores na pele, na forma de pústulas, nódulos e cistos e estas tendem a causar dor, vermelhidão e inflamação, que não diminui com a limpeza da região afetada. Podem-se localizar em todo o rosto, peito, costa e nádegas5.
  • Acne Grau IV ou acne conglobata: causa todas as formas de lesões possíveis da acne, das mais simples como os comedões, às mais graves como os abcessos e fístulas. Afeta todos os locais do corpo onde existem glândulas sebáceas, além do mais, deixam muitas cicatrizes e manchas na pele6.
  • Acne grau V ou acne fulminans: é um tipo raro de acne, fulminante e grave, já que pode causar problemas nas articulações, fraqueza, febre e dor muscular. As lesões localizam-se em grandes áreas do corpo e não ficam apenas num região específica, como o rosto. É mais comum em homens, dado o fator hormonal, em muito contribuindo a testosterona. Pode causar infecções generalizadas no organismo se não for tratada, por isso exige internação hospitalar7,8.

Tratamentos para acne

Regra geral, a acne desaparece com o passar do tempo

A acne nas suas formas mais leves, graus I e II, por exemplo, normalmente desaparece com o simples passar do tempo, nomeadamente no início da vida adulta. Já nas suas formas mais graves, tendo em consideração as potenciais consequências, o tratamento é habitualmente mais prolongado.

Os graus mais elevados da acne tendem a causar infeções, cicatrizes e até possíveis distúrbios psicológicos. Tendo em consideração que o seu tratamento poderá passar pelo recurso a medicamentos, é essencial o acompanhamento por um médico dermatologista

O tratamento terá como foco a desobstrução dos poros, para controlar a contaminação bacteriana e a produção excessiva de oleosidade pela pele, além de eliminar o processo inflamatório. De forma geral, nos graus III e IV são utilizados antibióticos e a isotretinoína (um derivado da vitamina A), já no grau V, além de medicamentos, ainda se poderá utilizar anti-inflamatórios e corticosteroides para o tratamento da doença1,9.

Entretanto, deve-se levar em consideração que, na generalidade dos casos, a acne dificilmente chegará aos graus III, IV e V. Tendo isso em consideração, muitos estudos apontam para que a adoção de um conjunto de cuidados básicos são excelente formas de prevenir e combater a acne nas suas formas menos graves. Entre eles, a lavagem diária do rosto, o uso de um hidratante de textura aquosa e de um bloqueador solar.

Conclusão

Conclui-se desta forma que a acne precisa de ser acompanhada de forma a evitar um eventual agravamento. Caso a doença comece a causar desconforto, fruto das suas lesões e da inflamação, por exemplo, deverá procurar acompanhamento por um profissional de saúde, de forma a obter o adequado diagnóstico. Nunca é demais recordar que, em caso algum, se deve automedicar, sob pena de piorar o quadro geral da acne e tornar mais difícil o seu tratamento.

Bibliografia

  1. COSTA, Carline Sousa et al. Evidência sobre o tratamento da Acne. Diagnósticos e tratamentos – BVS. Janeiro, 2013.
  2. ARAÚJO, Ana Paula Serra de et. al. Acne diferentes tipologias e formas de tratamento. VII EPCC – Encontro Internacional de Produção cientifica. Outubro, 2011.
  3. SBCD – Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Acne.
  4. VAZ, Ana Lúcia. Acne vulgar: bases para o seu tratamento. RPMGF – Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Portugal, 2003.
  5. BVS – Biblioteca virtual em saúde. Acne. Acesso em 29 de julho de 2020.
  6. WINDOM, Robert E. et al. Acne conglobata and arthritis. Arthritis & Rheumatology. Dezembro, 1961.
  7. Marvi Iqbal BS et al. Acne fulminans with synovitis-acne-pustulosis-hyperostosis-osteitis (SAPHO) syndrome treated with infliximab. Journal of the American Academy of Dermatology. Maio, 2005.
  8. ZANELATO, Tiago Pina et al. Acne fulminans incapacitante. Anais Brasileiros de Dermatologia. Agosto, 2011.
  9. SILVA, Ana Margarida Ferreira da et al. Acne vulgar: diagnóstico e manejo pelo médico de família e comunidade. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Março, 2014.